O ALCOOLISMO E A FUGA DA REALIDADE;
UMA ABORDAGEM CRISTÃ E PSICANALÍTICA
4.00 REVISÃO SOCIOLÓGICA
De acordo com Bruna Prata Oliveira, 2009, na antiguidade só a embriaguez era considerada perturbação sendo, na época, ignorado o fenômeno do alcoolismo crônico. Só na segunda metade do séc. XIX, na França, é desenvolvido o conceito de alcoolismo como doença e não apenas vício.
Nos finais do séc. XIX, o alcoolismo coletivo já estava instalado como uma questão de interesse público e social. A socióloga Bruna, 2009, menciona que para Carvalho (2003), após a década de 70, a melhoria do poder de compra e a liberalização dos costumes contribuíram para a progressiva agressividade das cervejeiras e das empresas de comercialização de bebidas destiladas e cria novos hábitos. O aumento da sociedade de consumo e a globalização vieram aumentar o leque de bebidas disponíveis concomitantemente com um discurso anti-álcool, mal aceito por alguns setores.
Aparentemente a nossa sociedade valoriza os aspectos benéficos do uso de bebidas alcoólicas mais do que teme as consequências maléficas pela facilidade de acesso de forma ilimitada (Michel, 2002). Do ponto de vista do equilíbrio social, Henry Clay Lindgren e Don Byrne, pág 49 do Livro Psicologia- Personalidade e Comportamento Social, relatam que Allan F. Williams ( 1966 ) realizou um dos muitos estudos mostrando que o álcool em pequenas quantidades tem efeito geral de reduzir as tensões. Estudantes universitários do sexo masculino foram observados durante uma série de coquetéis oferecidos pelo pesquisador. Várias medidas tomadas durante o período experimental mostraram que a ansiedade e a depressão tendiam a diminuir depois de dois copos, aumentando, porém, após este limite. Williams concluiu após análise que os jovens bebiam para se sentirem “normais”.
Parece que já é senso comum que o problema das drogas, não só no Brasil como no mundo inteiro, está relacionado ao conjunto de três elementos: o individuo, a substância e a sociedade onde este encontro acontece, mas o consumo de álcool na sociedade contemporânea é visto de forma positiva, o que dificulta o reconhecimento de determinados padrões de consumo como doença.
O Dr. John G. Cooney em sua abordagem de como vencer a dependência do álcool e manter a dignidade diz que em certas culturas, “beber bem” é uma capacidade tão admirada que seus detentores, em particular homens jovens, acabam por ser considerados heróis locais. Infelizmente, na prática isto significa que eles se expõem a doses elevadas da droga viciante, com um consequente risco maior de desenvolver dependência do álcool.
Ele também nos faz entender que por causa do preço reduzido da bebida o acesso torna-se facilitado, mas um aumento para o consumidor final seria capaz de reduzir o consumo de todas as formas de bebidas alcoólicas. Quanto à agressão, não há novidade; ela é comum na vida do alcoolista e pode se expressa de forma fisica ou verbalmente. É notório que vários enfermos reagem anormalmente quando ingerem pequenas quantidades de álcool e, em consequência disto, tem uma mudança de sua personalidade para um comportamento altamente explosivo e agressivo.
Além disto, relata Cooney, no contexto do alcoolismo, uma bebedeira é mais bem definida como um período de tempo, muitas vezes de vários dias, no qual indivíduos bebem descontroladamente. Durante esse surto, o alcoólatra esquecerá a família, dos amigos e de todas as responsabilidades em seu desejo de consumir tanto álcool quanto for possível. Com o progresso da doença, os intervalos entre os “surtos” ficam mais curtos e a duração dos surtos mais longa, até que sua tolerância para o álcool cai para o estágio no qual fica aparente que ele não pode mais consumi-lo na mesma escala de antes.
Enfim, o alcoolismo é uma doença dominante, que afeta todas as áreas da vida do indivíduo: bem-estar físico e mental, relacionamentos familiares, vida social e trabalho.

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